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sexta-feira, 19/08/2005 |
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Presidente da Câmara Municipal de Recife declara: “Quero ser questionado pelo meu eleitor |
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Foto: Aguimarinho Pessoa |
Riccelli Araújo - repórter
Convidado a participar do Encontro de Vereadores da Região Potengi, realizado na cidade de São Paulo do Potengi, pelo presidente da FECAM-RN, vereador Rogério Marinho, o presidente da Câmara Municipal de Recife, Josenildo Sinésio da Silva (PT) enalteceu a criação da Federação como um instrumento de grande importância para a atuação e qualificação dos vereadores. "A experiência da Federação é muito salutar e deve ser levada para Pernambuco. Lá existe a União dos Vereadores de Pernambuco - UVP, mas não tenho muito conhecimento do seu funcionamento por falta de tempo", comentou.
Questionado a respeito da atual crise política vivenciada pelo Partido dos Trabalhadores, Josenildo afirma que "acompanho de maneira muito triste, pois historicamente como formados no PT para combater as irregularidades, e as mazelas existentes no cenário político do país ao longo dos anos". Josenildo cumpre seu segundo mandato e administra a Câmara Municipal de Recife com um orçamento anual de 47 milhões. O vereador afirma que é muito difícil legislar para um eleitorado de mais de 1 milhão e meio de habitantes, onde 500 mil vivem na pobreza e outros 500 mil abaixo da linha de pobreza.
O petista acredita que o partido sobreviverá a essa crise e que "quanto mais difícil as dificuldades, mais forte vai ser o trabalho de recuperação do partido. Acredito que de todo esse processo lamentável, vai surgir um novo Brasil." Josenildo esclarece que permanece no Partido dos Trabalhadores. "Sou daquelas pessoas que não acredita que pode encontrar a solução em outro lugar. Vou ficar onde estou. Para onde iria ? Existem muitos partidos bons, e respeito a todos, mas quero ficar para dá continuidade à história política do partido ético que ajudei a construir e ainda acredito, pois tenho origem no povo, sou filho de uma empregada doméstica".
O vereador desabafa quando perguntado a respeito do perfil do eleitor atualmente. Ele afirma que grande parte do eleitorado ainda não entende o papel do vereador, tornando o mandato um balcão de depósito e atendimentos. São ordens de medicamento, cesta básica e outros pedidos de ordem pessoal. "O eleitor precisa entender que o vereador cuida da coletividade e não tem o dever de resolver as dificuldades individuais de cada um. O vereador deve legislar, criar políticas públicas para melhorar a qualidade de vida da população. Não concordo com a política assistencialista tão comum no Nordeste do país. Esse assistencialismo é um caminho muito barato para se manter no poder. É uma herança histórica desde a colonização do nosso Brasil. Quero que meu eleitor me questione a respeito do meu mandato, das minhas atividades, do que estou fazendo na Câmara Municipal para o bem estar da população", conclui.
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